terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Pão, pão, queijo, queijo

Hoje, e em virtude dos últimos posts, duas pessoas disseram-me que eu estava apaixonada. Já imaginava que tivesse reacções dessas. Mas não considero que o esteja.
De facto, uma coisa é alguém mexer connosco, outra é haver aí outra coisa qualquer mais profunda. Que eu não descarto. Mas que também não assumo. Pelo menos por agora.

Não gosto da palavra 'apaixonada'. Prefiro mil vezes 'enamorada'. Acho que dá para ver a diferença: a paixão é efémera, o amor não. E, por isso, eu prefiro enamorar-me de um homem a apaixonar-me por ele. Porque isso implica que o vejo por dentro, naquilo que ele é, e assumo que gostaria de o ter para mim e para sempre. No que tem de bom e no que tem de mau. Com amor, por amor. Esta é a relação que vale, ou valerá, a pena.

Por agora, vou-me deixando sentir tudo. E sinto muito mais do que ficou espelhado naquele post. Mas as relações são o que são e eu também tenho o meu feitio. Não digo tudo, digo apenas o que acho que devo dizer. Sobretudo aqui, onde tenho vizinhos à janela (que bom que é tê-los, confesso). E faz parte de mim, isso garanto, não andar atrás de ninguém. Se há coisas que detesto é 'homens-cola'. E, por isso, eu também não me colo. Dou pistas, dou espaço. Quem vem, é bem recebido. Quem não vem... Para bom entendedor meia palavra basta, não é? Se não me seguem o passo, é porque não estão interessados. E eu não tenho feitio para correr atrás, tipo cordeirinho.

Neste momento, a minha vida é como o ramo de árvore da foto aqui em baixo. Foi tirada por mim no primeiro dia do meu Natal e adoro-a. É a metáfora perfeita da minha vida: muitos caminhos, muitas encruzilhadas. Vou andando no meu labirinto, sem saber bem para onde, à procura do seu caminho principal. E espero que, em alguma encruzilhada, haja uma mão estendida. De alguém, seja quem for, que tenha tido a coragem para entrar e procurar por mim.

Até lá, não descarto nada. Mas também não assumo nada. Limito-me a sentir e a considerar todas as opções. Sou livre e, como tal, posso-me dar ao luxo de escolher aquele que me merece por inteiro. Aquele que se esforça por me descobrir, porque reconhece o tesouro que sou. Por isso... logo se vê.

Reflexão

No dia em que os nossos governantes forem governantes a sério e pensarem naqueles que os elegeram e nos que hão-de vir e farão o mundo de amanhã, coisas como esta deixarão de existir. Mas isto só acontecerá se deixarem de andar a brincar aos cowboys como putos imaturos e caprichosos que preferem andar à bulha a resolver os problemas. Hoje em dia já não há um lado certo e um errado. Todos cometeram erros, todos devem esforçar-se por encontrar um caminho pacífico, feito de cedências de parte a parte. De compromissos A cumprir. Mas temo bem que não estejam minimamente interessados...


Entretanto, as crianças não esperam. Vão crescendo no meio da guerra. E o que me assusta é que ela se torna 'a normalidade'.

Conversa matinal

John Doe: Grande post. O que me ri sozinho à noite quando o li.
Eu: Porquê?
John Doe: Porque finalmente te vi escrever assim. Puseste a boca no trombone, mulher.
Eu: Continuo sem perceber...
John Doe: Porque finalmente te vi colocar as coisas clarinhas como água sem ser apenas para mim. Está um post excelente que não pensei que alguma vez escrevesses.

Eu: Adianta muito... Ele não sabe do blog. Mas há quem vá perceber, quando ler. O que já é um grande passo para mim.
John Doe: Mmm... Por caminhos travessos lá vai ter. Ah, mulher, és das duras. És assim de nervo.

Eu: ?
John Doe: Tens nervo quando é preciso. Consegues ser delicada, carinhosa, doce, sensível. E quando precisas mandas um post duro como aquele. Porque está duro. Aliás, os últimos estão todos muito duros.
Eu: :) É. Eu sou muito pão, pão, queijo, queijo.
John Doe: Eu sei. E por isso és adorável.
Eu: O meu preciso problema é quando deixo de ser assim e cedo em demasia.
John Doe: Mas isso são coisas que vais afinando.
Eu: Claro. Isto também é uma afinação. É uma afinação de sentimentos.
John Doe: Deixo-te trabalhar, mas não podia deixar passar esta oportunidade de te dar um beijo enorme por mais essa conquista tão tua, tão preciosamente tua.
Eu: Tu és cá um cromo...
John Doe: Eu? Porquê?
Eu: Porque vibras com isso. Eu acho piada à forma como vês isto. Fazes-me ter outra visão da coisa. Muito engraçado o facto de achares que não me tinha mostrado assim ainda.
John Doe: A mim sim, mas não ao mundo.
Eu: Ontem fartei-me. Fartei-me de pensar, fartei-me de sentir. O post veio do rebentar.
John Doe: Eu sei. Se pudesse tinha mandado uma gargalhada bem sonora.
Eu: :D Só tu...
John Doe: E tu... No inverso fazias o mesmo. Por isso cala-te....
Eu: Pois fazia, tens razão. Não sei, olha. Já pensei em o apagar mil vezes, mas depois... Depois, olha... Fica e pronto!
John Doe: Eu sei. Pensei até que já o tivesses apagado. Mas ai de ti que o apagues! É preciso fazer cópia de segurança???? É que faço copy paste ao meu e digo que foste tu que escreveste!
Eu: Eh eh. Não é preciso. Ele vai ficar.
John Doe: Acho bem. Não ponho nenhum comentário. Zero. Já esteve para estar, mas não coloquei. Ainda por cima ia sair algo do género: Há homens tão burrinhos...
Eu: :D
John Doe: Dá Ele nozes.... Credo… Há uns que não querem saber o que perdem, há outros que sabem, mas não podem.
Eu: És tão tolo... Acho que vou enfiar parte desta conversa no próximo post...
John Doe: Estás à vontade, minha amiga.

Fim-de-semana (II)

Estive contigo este fim-de-semana. Tu não estavas a contar ver-me, disseste-me. Pois é, mas eu sabia que ias estar lá. E fiquei, por isso, à espera de te encontrar.
Estiveste pouco tempo, tinhas coisas para fazer. Mas o tempo que estiveste deu para comprovar uma sensação que tinha. Tu mexes comigo. E, ou eu me engano muito, ou mexo contigo também. Ou então é tudo fruto da minha imaginação. Não sei. Sei apenas que houve olhares e sorrisos trocados, muito poucas palavras, um abraço sentido à chegada, outro à partida, que não nos bastam dois beijos na cara (nem sei, honestamente, se nos beijámos, mas do abraço não me esqueço). Nós conhecemo-nos há anos, conhecendo-nos apenas há pouco tempo. Já constatámos isso.
Não nos aproximámos muito. Eu não consegui e acho que contigo aconteceu o mesmo. Mas tenho a sensação que tu me sentiste lá como eu te senti. Fica a sensação. Talvez a comprove algum dia, talvez não.

Entretanto, uma conversa com uma amiga (hábil, deu-me bem a volta, pôs-me a falar) fez-me pensar. Disse-me ela que às vezes fica a pensar que que há pessoas que deviam estar juntas. 'Há uns tempos, não sabia eu que vocês não se conheciam, dei por mim a pensar que não percebia porque é que não namoravam...'

Pois... Não sei porquê, acho que há mais a pensar isso... Conversas de outras alturas, pequenas coisas ditas...

Não conheço o futuro. A julgar pelo que vejo, este não leva a nada, de tão atados que somos. E não sei se não olharás para mim como uma menina, que não sou, e não como uma mulher. E tenho pena. Porque tu vales a pena. Mas estes desencontros acontecem com alguma frequência, não é?

Enfim... Logo se vê...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Telégrafo

Hoje disseram-me que andava um bocado telegráfica no blog. E pediram-me para não morder em ninguém. Eu não mordo, pelo menos assim. Eh eh
Fiquei a pensar no que me fez ficar telegráfica. Só há uma palavra: frustração.
Sinto-me parada no cais, quando só me apetece voar. Mas tenho de esperar. E sinto-me insatisfeita. Frustrada. Ponto.

Sol

Fui tomar café. Está um sol esplendoroso lá fora e eu aqui a trabalhar. Vou juntar as duas coisas e vou para a biblioteca da Universidade. Para junto de uma das janelas rasgadas, onde vejo o horizonte. Onde o sol beija a terra.

Hoje preciso de sol. Vou procurá-lo.

Até logo.

Fim-de-semana (I)

Sexta-feira não foi um dia bom. Foi um dia de rolar outra vez pelas escadas abaixo. De sentir cada pico a roer a carne. Talvez por isso, o fim-de-semana, que ia ser de gente à volta, parecia e não parecia convidativo. Espairecer é bom, mas quando sentimos vontade de nos deitarmos em posição fetal na cama e cobrir a cabeça, torna-se complicada a ambivalência.
Mas fui, como é óbvio, que a minha presença era fundamental. Apesar do cansaço, tudo correu bem. Mas houve momentos em que me apeteceu fugir.
Na noite de sábado, e porque havia necessidade de criar empatia entre as pessoas, o serão foi de paragem. Sob o imaginário d’O Principezinho, trabalhámos a nossa imagem e a confiança nos outros.
Num dos momentos, a partir da história da rosa que o Principezinho amava perdidamente, foi-nos pedido que, em dez pétalas de cartolina, escrevêssemos dez características nossas que achássemos relevantes para a função que desempenhamos no grupo. No fim, quando todos achávamos que íamos construir a nossa rosa, foi-nos pedido que déssemos as nossas pétalas a dez pessoas diferentes que achássemos que partilhavam connosco cada uma das características. Esse momento foi, para mim, surreal. Porque nas minhas andanças, ia dando e recebendo. Uma após outra. Inúmeras.
No fim, tinha dado dez. E tinha recebido dezanove…
Qualquer pessoa teria ficado feliz pela quantidade de pétalas recebidas. E eu fiquei. Mas enrolada como estava nas minhas dores, não foi fácil lidar com uma rosa feita de perseverança, criatividade, espírito de serviço, persistência, gosto pelo que faço, convicção nas minhas ideias, entusiamo (a duplicar), responsabilidade, frontalidade, perfeccionismo, experiência de vida, perspicácia, alegria, altruísmo, vocação, capacidade de análise, compaixão.

Stressada estava (outra característica que alguém que me conhece me deu) e mais stressada fiquei. Custou-me imenso compor a flor, ficou feia como os trovões. Sem forma. Mas vou guardá-la, para que me lembre.

Senti-me acarinhada. E foi difícil aceitá-lo. Porque me senti transparente.
Raios partam as muralhas…

Recado (VI)

Será que, das flores que distribuis, alguma é para mim?

Pego ou não pego?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Recado (V)

Não gosto de entrelinhas. Tenho sempre medo de estar a entender tudo ao contrário. Não me apetece iludir-me mais.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O saber não ocupa lugar

Vi aqui e não resisti a pôr na minha toca. Isto porque o saber não ocupa lugar e temos de nos manter informados. Quem não souber do que se trata, 'fáxavor' de investigar durante o fim de semana, aproveitando que não vem cá fazer nada porque o Ouriço vai desopilar (salvo seja).


Eh eh...
Um excelente fim de semana... ;)

Os amigos no espaço

Ontem, estive à conversa com um amigo com quem, se se proporciona, acabo à conversa sobre coisas que eu sei que o preocupam. Cá o meu lado, não sei se estão a ver, normalmente ouve, não partilha... Eu igual a mim mesma, como sempre. Eh eh.
Ontem a conversa resvalou para os amigos. Meteu-se agora numa série de projectos que lhe roubam muito tempo aos amigos e à namorada. E os primeiros passam a vida a queixar-se. A passagem do ano foi passada a ouvir lamúrias. E ele a sentir-se dividido entre os sonhos e os outros.
Fiquei a pensar naquilo.
Por um lado, sabe muito bem ter um grupo à nossa volta que nos ampara. Eu tenho um, mínimo, e que amparo mais do que me ampara a mim. Amigos, amigos, a sério, daqueles que me conhecem do avesso, um único, recentíssimo. Tudo o resto gravita à minha volta, mas vão conhecendo o que eu quero mostrar. Só. Sinto alguma inveja daquelas tertúlias que se vão criando e onde há mãos à farta. Ao mesmo tempo, não sei se isso existe ou se é fruto da minha imaginação.
Por outro lado, quer se trate de bons amigos ou amigos de circunstância, às vezes é importante ensinar-lhes qual é o espaço de cada um. Porque nem sempre os amigos conseguem discernir até onde podem ir. E, na sua boa vontade, nos seus desejos ou nas suas atitudes, acabam por exigir de nós o que não queremos ou não podemos dar.
E a amizade, para mim, antes de mais, é respeito. Um bom amigo é pouco ou nada invasivo, um bom ouvinte e honesto. Entende as presenças e as ausências. E aceita que é preciso espaço. Muito ou pouco. Espaço.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Constatação

Cada vez mais me convenço que as coisas são como eu penso que elas são e não como os outros me tentam convencer que elas podem ser...

Do caos (II)

Há uns dias atrás, alguém me dizia, muito sabiamente, que a célebre frase 'do caos nasce a ordem' é um engano. Isto porque a ordem, pelo menos como eu a entendo, não existe. Aquela ordem final, a partir da qual tudo se conjuga de forma perfeita e definitiva, é um mito.
Por essa razão, chegámos à conclusão que esta frase, aplicada a mim, é uma fantasia impossível. Melhor seria ter a consciência de que 'do caos nasce a arrumação'. Isto sim. No ano que passou desorganizei-me toda por dentro, retirei tudo dos 'armários' de minha casa. Olhei o caos, senti-o na pele, de todas as formas e feitios. E agora, ainda no caos, estou a arrumar. A escolher meticulosamente o que quero conservar e o que vou deitar fora. Eu, que nunca fui criatura de grande pontaria, ando de caçadeira na mão a escolher os alvos. Isto sim! Arruma! Isto não! Pum!
A frase que se seguirá será 'do caos nasce a harmonia'. Porque depois de tudo arrumado, espero olhar à volta e ver uma vida harmoniosa. Onde exista sempre algo para mudar de sítio. E onde seja possível sentir satisfação e tranquilidade, apesar dessa ausência de ordem perfeita e definitiva. Primeiro comigo. Depois com os outros.
Até lá chegar, vou-me deixando sentir a confusão. Neste momento sinto tudo, esquadrinho tudo, escavo, escavo, escavo. Às vezes percebo-me. Às vezes não. Ontem dei por mim a rir de mim mesma por causa deste 'nonsense' todo. Mas gostei de conseguir olhar para mim e rir. Há muito tempo que não gozava comigo mesma e ultimamente tem-me vindo a acontecer outra vez. Um excelente sinal, porque só acontece quando eu me sinto bem por dentro.
Eu amo este caos. Porque me vai trazer arrumação e harmonia. Botão off? Não quero... Eh eh

Do caos (I)

Às vezes sentimos apenas o caos. A confusão total.
Mas sentirmo-nos baralhados não é mau. Pelo contrário. Significa apenas que estamos a descobrir novos caminhos.
Engraçada é a forma como reagimos à confusão. Podemos olhá-la de frente e tentar resolvê-la. Conversando, procurando, actuando.
Ou podemos sentir as fundações tremer tanto que fugimos. Silenciando, deixando que os outros se mexam, inventando desculpas.

Cada um sabe de si e Deus sabe de todos. Eu cá gosto cada vez mais da primeira reacção. Venço os medos. Vivo mais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Problema II

Por mais que eu anseie por uma vida tranquila, feita de paz e de sossego num abraço quente, eu sei bem, cá dentro, naquelas alturas em que não me engano a mim mesma, que sou incapaz de viver sem um turbilhão de pensamentos, a minha falta de jeito, as minhas distracções, manias, ideias (completamente) peregrinas e fantasias, os meus problemas existenciais, o meu sentido de humor oscilante, a minha desarrumação interior e exterior, os meus medos e certezas, a minha necessidade de solidão, etc., etc., etc.

Fazer o quê?

Botão off... Volta, que estás perdoado!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Problema I

Tenho andado com a cabeça aqui dentro:


Disseram-me que experimentasse pô-la aqui:

Não me parece... Está muito frio...

Queria era encontrar este botão:


Mas não há!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Recado (IV)

Hoje sentámo-nos as duas a conversar. Li um 'não me apetece estar sozinha' e fiquei contigo ali. 'Falámos' horas. Contaste-me aquilo que pouquíssima gente sabe de ti. Talvez porque já te reconheceste em mim. Talvez porque tenhas sentido o meu lado de cuidadora.
E eu procurei cuidar de ti. Dei-te a mão, disse-te aquilo que nunca ninguém te disse. A perspectiva que te faltava para perceberes que nem todos são iguais. E tu não sabes, mas chorei contigo. Chorei por ti. Por aquilo que não mereceste que acontecesse, pela Mulher que és sem saberes que o és. Eu gosto de ti. És pura, genuína. Um tesouro. E um dia vais descobrir isso. Eu sei.
E não te preocupes: eu vou lá estar para ver. Mas muito antes desse dia vais receber de mim um abraço apertado. Aquele que agora não te posso dar, mas que te fica prometido. E eu cumpro.

Velhice

Que me doa a minha anca até aceito. Lesão antiga, um dia dá sinal de si e nada a fazer. Agora, que me doa o joelho, não pode! Nunca tive problemas de joelhos!
Ai... Estou a ficar velha...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dos Amores Perfeitos

Hoje, quando fui tomar café, deu-me uma vontade súbita de passear. Como posso ter estes caprichos, deixei-me ir por eles. Na minha cidade há dois jardins quase lado a lado. Um moderno, outro antigo. Parti do primeiro - amplo, arejado - para chegar ao segundo. Muito mais intrincado, um daqueles jardins de solar antigo, que antes só alguns olhos divisavam e que hoje é de todos.
É um jardim muito bonito com um toque oriental. Há um pequenino reduto de bambus, uma ponte ornamentada que cruza as margens de um lago cheio de patos e peixes, cascatas. Há muitos espaços de descanso, alguns dos quais escondidos, bem a gosto dos namorados.
Numa das alamedas, há inúmeros vasos. Num deles vi uma mancha roxa e aproximei-me para ver do que se tratava. No meio de muitos, murchos, estava um amor-perfeito, belo, vertical e solitário. Os amores-perfeitos são outras flores a que sou particularmente sensível. Pela sua beleza complexa. Talvez por isso tenham o nome que têm.
Sorri à analogia. Um Amor Perfeito nunca é um amor fácil. É feito de encontros e desencontros, de certezas e dúvidas, de dádivas e cedências. De entendimento, acima de tudo. Por isso, é com frequência que, hoje em dia, encontramos apenas um - belo, vertical e solitário - no meio de muitos murchos.

Estava frio, mas o passeio soube muito bem. Cheguei com a cara gelada e um sorriso. Uns minutos para repetir.


Retrospectiva

O Ouricito não costuma postar em dia de 'Prisão de Palavras'. Mas hoje apetece-lhe... Talvez porque desarrumou a casa toda. Para voltar a olhar para momentos passados. Para se deixar sentir o que não quer sentir. Para arrumar mais um pouco as tralhas que ainda andam pelos cantos.
Amanhã é Dia de Reis. Mas tenho a impressão que o meu Natal termina hoje. E acompanha-me uma canção de Natal já antiga, dos meus tempos de españolita, que poucos conhecerão. É mais um sonho do que outra coisa. Um dia chego lá.


Gloria Estefan - Más allá

Mapa

Hoje encontram-me aqui...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Festas

As minhas festividades acabaram hoje, com a festa de anos do meu Piu-Piu. Um dia de brincadeira, claro. Voltámos às histórias, às escondidas, às maquilhagens (ai, que boa cobaia sou...). E às cantorias. Imaginem lá dois pingos de gente em cima de duas cadeiras com garrafas de litro e meio à frente a fazer de 'micofone'. E a cantar... o hino nacional, pois claro! Eh eh eh eh... Só visto!!
A meio da tarde quem caiu para o lado fui eu (já não tenho idade para isto). A ver um 'vvd' da Pipi das Meias Altas passei pelas brasas (que é o mesmo que dizer que adormeci mesmo). Acordei com os dedos cheios de verniz. A Luísa também tem a mania que é esteticista...

sábado, 3 de janeiro de 2009

Gostos

Um gato resolveu visitar a minha casa. Curioso, o gajo... Ainda pensei em atraí-lo, mas estava bem tratadinho, pelo que me pareceu que já tinha poiso. Resolveu foi alargar os horizontes...

Eu gosto de gatos. Mas prefiro os cães. Se pudesse tinha uns quantos em casa, recolhidos das ruas. Mas não tenho um quintalito e não me parece justo tê-los fechados entre quatro paredes pequeninas. Um dia... Ai, um dia... Um dia, vingo-me! E ainda hei-de ver as minhas meninas a brincar com um, oferecido por mim, tal como fizeram comigo há muitos anos. Quando tiver a certeza que a minha irmã não me mata!

Por fim, mais um. Gosto de cavalos. Desde pequena foram uma paixão. Sei lá porquê, mas até muito tarde passei horas a desenhar cavalos. Ao pormenor. Ainda hei-de aprender a montar. Mais um projecto.

E assim se completa o trio. :)

Laços

Hoje o meu Piu-Piu faz anos. Uma mão cheia deles. E parece que foi ontem que a vi pela primeira vez.
Está grande, a minha M. Por dentro e por fora, apesar de já lhe terem tentado roubar o seu mundo de fadas e sonhos. Mas tem sorte, porque tem em nós mãos fortes que a amparam e a ajudam a recuperar. E quando a vejo a sorrir, sei que vai ficar bem.
Hoje liguei-lhe e ouvi silêncio do outro lado da linha. Estava envergonhado, o meu Piu-Piu, por eu lhe dar os parabéns! Disse-mo assim, tal e qual. É bom ouvi-la expressar o que sente (já sabe verbalizar, o que não é muito comum). E ver como os olhos brilham quando chego. Não há nada que me aqueça mais o coração do que sentir dois bracitos à volta da minha cintura e ouvir uma vozita a dizer 'Tinha saudades tuas...'
A M. não é minha filha. Mas não imagino de forma diferente o amor de mãe.

Doçura


Terence Trent D'Arby - Delicate

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Desabafo

Hoje sinto-me acarinhada. É um sentimento estranhíssimo. Chega a ser assustador. Porque antevejo o esboroar da pedra...

Gostos partilhados

Eu sou uma pessoa musical. Já me chamaram ‘ave canora’ e não se enganaram: canto razoavelmente bem e canto muito. Não há viagem que faça que não passe o tempo à procura de algo para ouvir e acompanhar (tenho de arranjar um carro com leitor de cds…). Canto em casa, canto com as minhas sobrinhas, em qualquer lugar. Ajoelho-me com a criançada que acompanho, por passatempo (e acho que vocação), e canto. Vejo alguém a tocar guitarra e sou logo atraída pelo som. E ouço música. Muita. Tenho os meus gostos, claro. Alguns vocês conhecem, outros não. E, porque as letras fazem parte da minha vida, procuro os sentidos escondidos da poesia. Gosto de sentir o que canto.
O meu pai tem um ouvido absoluto. Ensinou-me algumas coisas. Fui soprano num coral durante anos. Solista, até, embora sempre detestasse as apresentações públicas. Porque o que sempre apreciei foi o prazer puro de cantar. A capacidade que tínhamos de misturar quatro vozes até à harmonia perfeita. Outra forma de cumplicidade.
Às vezes penso no que poderia ter acontecido se tivesse seguido o que os testes psicotécnicos do liceu indicavam: música. Mas nunca me debrucei muito sobre o assunto. Não tinha futuro, pelo menos por aqui. Também nunca aprendi solfejo, nem a tocar um instrumento musical. Nunca tive tempo, sempre andei numa roda-viva. Mas é este ano que vou aprender a tocar guitarra.
Não é ela, contudo, o meu instrumento de eleição. Das coisas que tenho mais pena é de não ter calhado aos meus pais, por herança, o piano da minha avó… Que eu nunca soube tocar, mas que sempre exerceu um fascínio enorme sobre mim… O piano, sim, é um amor.
Tenho saudades do piano da minha avó… De ouvir tocar assim:


Michael Nyman - The heart asks pleasure first

Casa

Hoje, em conversa, relembrei uma coisa que aprendi há uns tempos, no momento em que decidi dar a volta e virar à direita no caminho. Quem percebe mais disto do que eu disse-me que eu sou uma ‘cuidadora’. Nada a fazer. Eu sou, por definição e essência, uma pessoa preocupada com os outros. Aquela mão sempre estendida, aquela palavra amiga, aquela que todos procuram quando há um problema. Que todos escutam, por não julgar e por apresentar um discurso coerente e lógico. Sou a casa de toda a gente. O problema é que ninguém é a minha casa. Eu não deixo... Raios partam os medos.
Mas estou a tratar do assunto... Afinal, não há muralhas intransponíveis, pois não?

Dia 1

O meu dia 1 foi bom das 0.00 até às 23.59...
Foi mesmo bom...
:)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mais uma...

Mais uma toca onde os meus ouvidos descansam...