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sábado, 10 de julho de 2010

Recado (XXXI)

Amo-te.

Acho que nunca o tinha dito assim aqui, de forma tão escancarada e tão clara. Não somos, nem tu nem eu, de gritar aos sete ventos o que nos vai dentro. Muito do que vivemos e sentimos guardamos para o espaço entre nós e que é pouquíssimas vezes partilhado com outros.

Mas hoje, depois de lidar com desamores alheios, lembrei-me de ti e veio-me à cabeça que entre nós não há hipótese de sucederem determinadas coisas. Dei por mim a dizê-lo em voz alta, para os meus botões. Com uma certeza brutal.

E apeteceu-me escrever aqui que te amo. Muito. No meio de tantas tempestades, sou uma mulher de sorte, de muita sorte por te ter, por te amar, por ser amada por ti.

Quero-te para mim. Quero-me para ti. Para sempre.

domingo, 30 de maio de 2010

Recado (XXX) ou Interrupção na Ordem de Trabalhos ou O que um fdp devia ouvir de viva voz

Recebi ontem a primeira sms e apaguei logo. Engano, percebi. Já a dormir recebo a segunda, cheia de doce. E a terceira. A pedir desculpa pela primeira e a justificar a segunda. Devolvi-te a resposta com o silêncio com que tantas vezes me brindaste. Pensas o quê? Que estalas os dedos e eu vou? Que me iludes com falinhas mansas? Não é possível, estou bem mais à frente no caminho, as tuas pernas curtas já não me alcançam.

Tens saudades minhas? Paciência. Já não és o primeiro de quem digo que sabe o que perdeu. E perdeste mesmo. Estou bem, agora, muito bem. Feliz. De pé, como nunca estive. Há um eu que desconheces e também nunca vais conhecer. E tenho a meu lado um Homem como deve ser.

Outro dia, na brincadeira, falava-lhe de um livro onde um gajo dizia a outro para admirar e cheirar as flores que quisesse, mas nem sequer se atrever a chegar perto da sebe do seu jardim. Rimo-nos quando lhe disse que podia, nas conversas de amigos, 'informar' os outros do mesmo. Ontem falaste-me de flores e lembrei-me desta conversa. E pensei que não tem de informar ninguém, porque é a própria sebe, espinhosa como é, que impede qualquer um de chegar perto. São minhas as flores e é a ele que ofereço o seu perfume.

Enquanto me voltava na cama, incomodada pela parvoíce de que te lembraste, foi a almofada dele que puxei para mim. E foi no seu peito, presente na ausência, que pousei a minha mão e descansei a minha cabeça. E adormeci sossegada.



Texas - In demand


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Recado (XXVIII)





Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Às vezes só a cinza que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer




quarta-feira, 28 de abril de 2010

Recado (XXVII)

Foi hoje. E soube bem. Soube à ternura que já mereces sentir e ter.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Recado para mim mesma (XXVI)




Quero-me sentir sempre assim.



terça-feira, 16 de março de 2010

Recado para mim mesma (XXV)


"...arranjaste um gajo


que não só não precisa de


e não te quer sacar cada centelha de energia


como é perfeitamente capaz


de te dizer 'amo-te'


sem acrescentar um 'se'


à frente."




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Recado XXIII

I just realized that

So sometimes I feel that


But I know


and


So I'm


thinking


I know that


but I also know that we should


Just remember:


and that


(pssst)


So, be sure that



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Recado XXII

Apeteceu-me dizer que 'o.pequeno.ourico' era o nome do meu blog... Mas alguma coisa me fez parar. Não é tempo. Ainda não é tempo...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Recado XXI

Em dias pesados, eu vou ao fundo buscar as sombras. Por isso hoje almoçaste à minha frente. Passaste a mão pela cabeça, num gesto tipicamente teu. Brincaste com os meus dedos, sorriste, conversaste. Por uns instantes, só por uns instantes...


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Recado XX

"Tu estás-me atravessada." Eu sei. Tu também me estás atravessado. Mas não és o primeiro e desconfio que não serás o último. A vida não é suficientemente longa e elástica para fazermos tudo o que quisermos ou para termos todos os que queremos.

O problema são as escolhas, claro. As tuas e as minhas. Das tuas sabes tu e são boas, parece-me. Das minhas sei eu e estou convicta de que são o melhor para mim, pelo menos por agora.
Um dia perguntaste-me, a propósito disto, se não seria possível ter o melhor de dois mundos. Disse-te que não. A repartição acaba por trazer o inferno ao de cima. Por isso é tão verdade aquele ditado 'quem tudo quer, tudo perde'.

Há homens que dá vontade de ter conhecido a vida inteira. Pelo muito que já viveram, pelo muito que sabem, pelo muito que são. Tu tens muito daquilo que eu gostaria para mim. Mas trazes agarrado à pele o medo, a dúvida, a descrença. E és impaciente e queres tudo, apesar de saberes que não é possível. Como os meninos ao pé dos carrinhos dos doces, quando querem comer uma nuvem de algodão doce, mas não querem esperar e acabam por gastar todo o dinheiro num chupa-chupa, ficando a sonhar depois com o açúcar a derreter na boca e nos dedos.

Tu queres tudo e, como exemplar masculino que és, não te convences de que não pode ser. Eu percebo. Mesmo muito bem. Nesta terra, no teu mundo, e com outra mulher, provavelmente poderia ser e seria. Mas comigo não. Eu não sou assim porque a vida já me ensinou muito. Sou bem mais velha do que tu em algumas coisas, apesar dos anos que nos separam. E sei que há coisas pelas quais vale a pena lutar. Eu conheço o lugar do tesouro. O colo. Lembras-te?

Disse-te uma vez que tenho a impressão que cumpro, na tua vida, o papel de te mostrar o que poderias ter tido e sempre tiveste medo de procurar. Continuo a acreditar que é verdade. Nada a fazer. Por isso sorrio tranquila, embora te sinta 'atravessado' em mim. Prefiro ter um bom amigo (e tu és tão, mas tão meu amigo, que eu sei...) a ter um mau amor. É uma decisão que sabes e que se baseia na minha cabeça e não no meu coração. Pelo menos para já será assim. Porque há caminhos de reconstrução que já fiz e que não quero repetir.

Eu agora cuido de mim e deste coração tão sensível e frágil que guardo nas mãos. Nas minhas mãos. Em última análise, só elas conseguirão evitar que se parta em mil pedaços outra vez. E tu és demasiado importante para mim para correr o risco de deixar que o partas. Porque seria o que aconteceria, não é? E acabarias por desaparecer da minha vida. Pelo que aí vem, tudo diz que sim e tu sabes, embora não queiras saber.

Eu não sei bem o que quero, mas sei o que não quero. Não te quero por uns dias, umas horas, uns tempos. Não chegaria, não como estou, provavelmente não como sou. Por isso resisto. E relembro, cada vez que nos encontramos, o que poderia ter sido e não foi. E fico com aquilo que somos. Porque há um 'nós' feito de carinho algures por aqui.





quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Recado XIX

Detesto encontrar-te pelas ruas que agora são a minha casa. Detesto as pegadas que reconheço no chão. Detesto que a cabeça me leve para o que já foi, a revisitar o passado. Detesto sentir saudades de um tempo que já não é o meu, do futuro que não foi meu, de ti que nunca foste meu. Detesto a horrorosa sensação de que o meu tempo passou, de que não posso esperar mais da vida, por muito que a esperança não me deixe parar. Detesto os silêncios que continuam a pairar, os fios de água que continuam a correr, os sonhos desfeitos, a vida quebrada. Detesto olhar para trás e achar que nunca mereceste o que eu sou. Detesto a estupidez humana que nos leva a andar no arame, a esperar mais de quem é mais pequeno do que a vida. Detesto o que te confiei e a devastação que causaste no meu mundo. Detesto-me por ter acreditado. Detesto o eterno recomeçar que é a história da minha vida. Detesto o não ver o que vem. Detesto dar dois passos atrás quando o que queria era correr para a frente. Detesto o não conseguir confiar. Detesto a insegurança, o não acreditar em mim, o não conseguir sentir o que sou, apesar de mo dizerem. Detesto não ter braços em que dormir enrolada. Detesto ter de contar só comigo. Detesto ter de lutar tão arduamente por tudo. Detesto o cansaço de andar sozinha com o meu mundo às costas.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Recado (XVIII)

Para recordares em dias menos bons. Não te preocupes que passa. O bom que o tempo tem é que a terra transforma tudo e uma semente nunca fica eternamente semente. Mas tens de a regar e tu sabes disso.


Mafalda Veiga - Achados e perdidos

Ao longe vê-se a ponte
O céu que muda
Entre o princípio e o fim
Ao fundo vê-se um monte
De casas velhas
De cor entre ocre e carmim


Eu espero no tempo
Algum sinal teu
Enquanto a saudade aperta
Agarro-me ao mundo
Recolho o que é meu
A ver se a vida se acerta
Naquilo que prometeu

Desenho no horizonte
Uma viagem
Que faço sem me mover
E passo sobre a ponte
Para outra margem
Onde pudesse perder
O peso dos dias
A dor do caminho
Que fica agarrada à pele
Se a vida voasse
Para além do destino
Como a cabeça nos voa
Numa folha de papel

A vida passa sempre
Tão apressada
Que pouco podes conter
Os dias são ausentes
Sabem a nada
Se te esqueceres de viver

Agarra o teu mundo
Acende os lugares
Onde se escondem os teus sentidos
E não tenhas medo
Se às vezes falhares
O que importa é o caminho
Que fica
Entre achados e perdidos


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Recado (XVII)

"És teimosa e tinhosa!"
Sou, pois. E sarcástica e franca e arrogante e brincalhona e honesta e trocista e directa e muito mais.
E é bom sinal conseguir ser isto tudo. Significa, tão somente, que estou à vontade. Como dizíamos há bocado, os amigos são a família que escolhemos. :)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Recado (XVI)

A propósito de uma 'conversa' tida aqui, com o Treze, e porque dois minutos depois li isto no meu cesto de maçãs:

"Eu sinto, já não o vazio de quem partiu,
mas antes o vazio de quem
ainda não chegou.
Parece que passamos a vida nisto de vestir e
despir a alma,
para encontrar quem nos faça sentir em casa,

até acertarmos na dose certa de intimidade e entrega,
que fica muito além da paixão, que arde célere,
mas que não chega
para acordar o fogo que faz viver o amor.
É isso que quero, um fogo que arda continuado e vivo,
numa chama forte e permanente, que me sustente muito para lá
do encantamento inicial, com um calor que derreta barreiras
e uma luz que ilumine veredas escuras e acorde os sentidos."

Isto implica esforço de ambas as partes, não é? Não nos cai no colo e pronto...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Recado (XV)

A Ventania foi soprar para outras paragens. E despediu-se neste post, que eu espero sinceramente que não seja o último que leia. E, por isso, este meu post é para ti.

Há algumas pessoas com quem me identifico muito neste mundo dos blogues. Tu é uma delas. Não nos conhecemos, mas às vezes tenho a sensação que, se o experimentássemos, acabaríamos horas na conversa. E diríamos algumas vezes 'entendo-te perfeitamente'.

Nesses entendimentos eu coloco muito do que escreves no post, porque o senti e sinto várias vezes. De facto, revelarmos a alguém conhecido este recanto onde despejamos o que nos apetece pode travar-nos o passo a seguir. Seja porque podemos ser mal interpretadas, seja porque podemos sentir-nos condicionadas e evitar escrever isto ou aquilo. É por essas e por outras que eu criei um canto só meu, a que ninguém tem acesso. Raramente o uso, mas está ali para quando é preciso despejar e não me apetece que alguém me venha falar do assunto. Normalmente são as minhas dores, aquelas tão intensas ou tão insuportáveis que não as consigo chorar nem na escrita. E escolho pelos dedos as pessoas que conheço a quem vou revelando este canto. E que ficam proibidíssimas de o revelarem a quem quer que seja. Até agora têm cumprido, o que me deixa mais tranquila. Mas às vezes sinto-me condicionada. Percebo-te bem.

Também já me senti pouco compreendida com o que escrevo. Mas, nesta fase que atravesso, a opção que faço é a de não esconder coisas que há algum tempo atrás simplesmente não diria. Este é o meu espaço e nele tenho o direito de espelhar as minhas impressões. Boas e más. E, se o exercício de deixar sair o que sinto me faz bem, o de me perguntarem como ando, embora às vezes seja desconfortável para quem não está habituada a revelar coisas de si mesma no mundo 'real', acaba por ser positivo, porque me obriga a sair da toca e a esticar as patas, ao invés de permanecer enrolada. E eu preciso de aprender a mostrar o que trago dentro.

Há, a este nível, uma coisa em que somos diferentes: tudo o que escrevo sou eu e raríssimos são os textos de ficção. Este blog é um espelho em que me reflicto e de que (ainda) preciso para me compreender melhor. E para exercitar a capacidade em falar de mim, mesmo que por meias palavras, já que não é em poucos dias que retiramos de dentro de nós os poços de silêncio que construímos. Quem aqui vem não me conhece por inteiro, mas conhece muito do meu avesso.

Onde te entendo perfeitamente (e que soco foi ler este sentimento em outro alguém, porque me obrigaste ao confronto comigo mesma) é no que se sente quando revelamos este mundo a alguém que nos é próximo e sentimos que do outro lado sobra indiferença. Já me aconteceu também, mas sempre evitei pensar no assunto. É como oferecer um presente que é deixado num canto, abandonado. Quando o presente somos nós, este 'abandono' terá de querer dizer alguma coisa, não? E não gosto de pensar numa coisa que me pode obrigar a rever algumas pessoas na minha vida...

Continua a escrever, sim, minha querida. Onde quiseres. Num blog, numa folha de papel, até no vento. Mas continua. Porque tu escreves com alma e isso sente-se, independentemente de nos conhecermos ou não. Eu cá espero ter o faro necessário para te cheirar por aí. Porque este Ouriço não gosta de dispensar quem lhe mostra que há mais iguais por aí...


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Recado (XIV)



So, go for it!


Recado (XIII)


E brincar não é das melhores coisas que a vida tem?

:)


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Recado (XII)

Boa conversa. Mesmo boa. Graças a ela, já está tudo um bocadito mais arrumado. Obrigada por isso.

Só mais uma coisa: A pressa é inimiga da perfeição. Lá chegarei. Lá chegarás.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Recado (XI)

Tenho a impressão que cumpro, na tua vida, o papel de te mostrar o que poderias ter tido e sempre tiveste medo de procurar.


Pat Metheny - Letter from home