quarta-feira, 22 de julho de 2009

Monólogos vindos de diálogos

"Y: Tu fechas-te muito. Quando o fazes, não dás a mínima hipótese de um gajo entrar. Devias explorar mais, tentar uma relação, permitir mais."

Pois, meu caro. Se me fecho é porque se calhar percebi que o caminho não é esse. Porque se fosse, daria todas - todas - a hipóteses de entrar. Agora, se eu acho que o meu caminho não vai por aí, se não vejo qualquer possibilidade, se não sinto qualquer clique, vou explorar uma relação porquê? Só porque sim? Para provar que ainda consigo sentir alguma coisa por alguém? Não me parece. Há que seleccionar. E eu sei que consigo sentir o furacão. Pelo que o que tiver de ser será. Tudo a seu tempo.



"Y: Contigo agora é tudo com calma."

Ora aí está uma grande verdade. Com calma. Para que os passos dados tenham um mínimo de segurança. Tenho é a impressão que o tempo de um homem, de qualquer homem, não é bem igual ao meu. Mas terei eu de correr, se me der o medo que ele vá embora? Não me parece. Eu vou andando. Devagar, mas não páro. Quem de facto se interessar, fica. E vai andando comigo. E fortifica. Quem não o fizer... Se calhar não está assim tão interessado, não é? Ou então quer tudo de mão beijada, sem o mínimo de esforço. O que não é um bom início.



"Eu: Já me disseram que vou notar é interesse dos gajos ainda nos vintes. Porque esses é que acham interessantes as mulheres nos trinta.
Y: Olha que não me parece. Os gajos dos quarenta também acham muito interessantes as mulheres nos trinta."

Ou seja, o espectro de homens possíveis, nesta minha idade, aumentou substancialmente. Mmmm... Vou fixar.


video
Klepht - Antes e depois
( Este gajo tem uma voz absolutamente fabulosa...)


Quem te apurou?
Como os anos passam por nós
É ver o tempo deixar-nos sós
E esperamos

Que justifiquem ou que nasça pelo menos alguma razão
Ao motivo pelo qual vai cedendo o corpo então
Aos anos

Sinto mais do que preciso
Perco a voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos ganho peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Algo melhorou!
Ficámos sábios… pelo menos aos olhos dos outros
Ser responsável compete a poucos
A bem poucos....
Não dependemos, daqui para a frente, de ninguém
Quer dizer… O sexo agora implica quase sempre alguém
E ainda bem!!!!

Sinto mais do que preciso
Perco voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos ganho peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Não choro as partes que estão para trás (2x)

Não concluo
O meu tempo não é uma canção
Que tem quase sempre rima certa, métrica e refrão
E esta... acabou.

4 comentários:

Treze disse...

"Quem não o fizer... Se calhar não está assim tão interessado, não é? Ou então quer tudo de mão beijada, sem o mínimo de esforço."
Há quanto tempo não vejo "via" isto.

E olha que a malta dos vintes não quer compromissos... :)

mf disse...

Treze:
Bem-vindo à toca! :)
Fiquei sem perceber se o que "viste" é bom ou mau...

Quanto à malta dos vintes... Posso-te contar um segredo? Eu acho piada aos gajos nos vintes, não deixa de ser engraçado esta sensação (que eu já senti) de ser interessante para alguém com menos dez anos. Mas depois penso que são... cachopos. Not my league. ;)

Treze disse...

Obrigado :)

Nem eu sei se é bom se é mau... À velocidade a que as relações se firmam hoje em dia, é giro "ouvir" isto de alguém, coisa que desde a minha adolescência (verdade!) não "ouvia" (o que não indica que tenha desaparecido essa exigência).

E eu estou pelo lado contrário, acho piada às mulheres com mais idade que eu :)

PS: Este espaço é giro (parece que tenho 15 anos agora...). É muito simples mas muito interessante :)

mf disse...

Treze:
"À velocidade a que as relações se firmam hoje em dia, é giro 'ouvir' isto de alguém, coisa que desde a minha adolescência (verdade!) não 'ouvia' (o que não indica que tenha desaparecido essa exigência)."

Pois. Se calhar o que faz falta a muitos é perceber que uma relação, para se aguentar, implica esforço de ambos os lados. Momentos bons toda a gente aguenta, momentos maus pouca gente decide ultrapassar de mão dada. Para mim, se desde o início uma das partes fica à espera que as coisas lhe caiam no colo isso pode não ser um bom prenúncio.
Eu não me armo em difícil, sou o que sou. Quem quiser, quer; quem não quiser, não quer. Foi só o que quis dizer. :)

Quanto à toca, ela é simples, sim. Nada de grandes luxos. 'A modos assim' como a dona. ;)

Se é interessante... Ainda bem. :)