quinta-feira, 23 de julho de 2009

Recado (XVI)

A propósito de uma 'conversa' tida aqui, com o Treze, e porque dois minutos depois li isto no meu cesto de maçãs:

"Eu sinto, já não o vazio de quem partiu,
mas antes o vazio de quem
ainda não chegou.
Parece que passamos a vida nisto de vestir e
despir a alma,
para encontrar quem nos faça sentir em casa,

até acertarmos na dose certa de intimidade e entrega,
que fica muito além da paixão, que arde célere,
mas que não chega
para acordar o fogo que faz viver o amor.
É isso que quero, um fogo que arda continuado e vivo,
numa chama forte e permanente, que me sustente muito para lá
do encantamento inicial, com um calor que derreta barreiras
e uma luz que ilumine veredas escuras e acorde os sentidos."

Isto implica esforço de ambas as partes, não é? Não nos cai no colo e pronto...

12 comentários:

Apple disse...

O encantamento que nos arrebata os sentidos e faz tremer só à menção do nome ou do cheiro, com um simples olhar ou ligeiro tocar de dedos...isso, às vezes, cai-nos no colo e nem sabemos o que fazer... O que vem depois, o que faz com que aquela bênção ganhe raízes e cresça forte, é que implica esforço de ambas as partes. Implica frontalidade e honestidade. É o dizer "estou com medo, mas não quero perder isto, vamos a jogo..." acredito que “aquilo que (grosso modo) todos queremos” é feito numa base diária de empenho e entrega, como um castelo antigo, com alicerces bem fundos e com pedras talhadas à mão, sobrepostas uma a uma…

mf disse...

É isso, é. Encantarmo-nos nem é muito difícil (e é tão bom, raios), o complicado é o 'vamos a jogo' que se segue. Porque há quem queira que não haja guarda-redes na baliza, para poder marcar golos à vontade. Mas isso não é jogar... O jogo implica frontalidade e honestidade, sim. E implica persistência e paciência. E capacidade de rir. E de acarinhar. E de aguentar. Assim se constrói um castelo a dois. :)

Treze disse...

É! Mas não só...

mf disse...

Treze:
Eh eh. Pois é. Não só. O mais engraçado é que, numa relação que funciona bem, as coisas parecem extraordinariamente simples, embora sejam assim complicadas. Ou não. Cada caso é um caso. E é por isso que viver é sempre uma aventura. :)

Francisco disse...

Viver é, de facto, uma aventura, Desengane-se quem pensa que existem relações perfeitas. Só acredita no pai natal quem quer... mf, concordo plenamente contigo; requer esforço e dedicação de ambas as partes

mf disse...

Francisco:
Bem-vindo à toca.
É sempre bom encontrar sintonias de opiniões, não é?. :)

A Princesa disse...

Esforço, dedicação, compreensão, cedências, ..., e muito mas muito amor!!!
Daquele que não tem fim, daquele que não se explica, que se sente, daquele que não adormece apenas descansa, daquele que nos faz sorrir e chorar, daquele que nos faz estremecer quando menos esperamos, daquele que independentemente de tudo e todos, independentemente das circunstâncias da vida nos faz sentir vivos e sentir que todos os esforços, desde os mais pequenos aos maiores valem sempre a pena!!!

Bjs

mf disse...

Princesa:
Daquele que nos enche tanto, mas tanto o coração, que ele já não quer ir a mais lado nenhum porque chegou a casa...
:)




PS - Ainda não vos dei os parabéns porque andei a ver se vos dava uma 'prenda'. Ela ainda chega.

R. disse...

Conhecem a sensação "é-exactamente-isto-que-por-cá-mora-mas-colocado-tão-bem-mas-mesmo-tão-bem-em-palavras-que-até-a-mim-me-surpreende-e-vive-tão-cá-dentro-que-parece-que-me-vieram-radiografar-a-alma"?

É essa sensação que eu tenho neste momento. Sinto as gavetas abertas a pé-de-cabra.

Sois um perigo, todos vós.

R.

mf disse...

R.:
Nós, um perigo???? Nunca. Nunquinha. Pomos é por palavras aquilo que muitas vezes não partilhamos na vida real. :)

LBJ disse...

Um vazio é um vazio, só pode ser preenchido com o que vem, nunca com o que foi.

Cada vez me convenço mais que nos tornámos todos tão exigentes com os cambiantes do amor que vamos continuar sentados à espera e um dia acordamos... Desculpa lá o azedume mas hoje estou cansado...

mf disse...

LBJ:
Eu sinto de vez em quando saudades do futuro. É o vazio por preencher com o que vem e é desse que se fala aqui.
A exigência a mais não é benéfica, porque nos pode fazer perder oportunidades, mas a exigência a menos é ainda pior: se, por medo da solidão, abarcamos qualquer coisa, acabamos pior do que se ficarmos sozinhos.
Vê se descansas. :)