A propósito do que me aconteceu, deram-me a opinião, há uns dias, de que só se esquece um amor substituindo-o por outro amor. Seguindo esta teoria, segundo percebi, o melhor que eu tenho a fazer é arranjar outra relação para poder, assim, esquecer de vez quem já é passado. A resposta que dei foi um rotundo e categórico 'não'.
Se há coisa que eu acho que não se deve fazer é andar a saltitar de relação em relação, como faz muito boa gente que acaba uma e, na semana seguinte, já tem novo namorado(a). Ou então anda de cama em cama, num destempero (desespero?) físico que muitas vezes não envolve sequer um simulacro de afecto. Seria como tapar uma ferida com um penso rápido ou cobrir uma nódoa negra com maquilhagem. Aparentemente não está lá, mas não é por isso que deixa de existir.
Tenho para mim que a solidão que se sente quando se termina uma relação é para sentir. Mesmo que custe (e custa), mais vale vivê-la e ultrapassá-la do que arranjar uma muleta que ajude a diminuí-la. Enfrentar os nossos medos e fracassos torna-nos mais fortes, porque nos ensina a compreender o que aqui vai dentro, quais as nossas limitações, dores e capacidades. E quanto mais nos conhecemos mais autênticos somos e mais sabemos o que queremos e não queremos.
Ao invés, escondermos o que nos faz sofrer fragiliza-nos. Se custa uma vez e fugimos, e da próxima voltamos a fugir, provavelmente faremos o mesmo uma terceira e uma quarta vez. Acharmos que não vamos aguentar 'o tranco' é do pior que há. Não apenas porque nos dá cabo da autoestima, mas também porque nos faz abandonar a selecção. E quem não é selectivo acaba por se contentar com pouco. Com muito pouco. E raramente conquista muito.
Eu escolhi desde sempre enfrentar. E continuo a preferi-lo. Tenho saudades, claro, de alguém ao meu lado, nos meus dias e nas minhas noites. Já podia ter, se quisesse. Ao longo deste tempo já me foi oferecido, já me foi insinuado. Mas não coloco a hipótese de usar alguém (porque seria isso que ia acontecer) para colmatar a solidão ou esquecer-me das dores nos dias menos bons. Não gosto de ser usada. Logo, não gosto de usar.
Não espero ter a sorte de acertar da próxima vez, envolvendo-me com a pessoa certa. Vai haver, provavelmente, novos erros, novas cabeçadas. Mas tenho a impressão que a melhor prenda que poderei dar a um gajo, no início de uma nova busca ou de uma nova relação, é a certeza de que é gostado por ele, pelo que é, e não porque preciso de uma muleta que substitua o meu pé coxo. Não espero que ele se contente com menos. Por isso mais vale avançar devagar.
DESUMANIDADE
Há 1 semana






