quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ao contrário

Gosto de ver as coisas de perspectivas diferentes das normais. É uma das razões por que me divirto tanto a aprender: alargam-se-me os horizontes e sou feliz.

Hoje vi o mundo ao contrário e, no meio da cidade, e dentro de casa, fiquei a contemplar as maravilhas da Natureza. Imaginem-se lá: uma biblioteca sossegadinha, uma cachopa a trabalhar. Janelas grandes, rasgadas de luz, como ela gosta. De repente, soa um toc toc diferente, compassado. Não. Dois toc tocs diferentes, compassados. Lá em cima. Ela olha. O tecto é feito de um material translúcido. Talvez (provavelmente) vidro opaco. Vem daí o barulho.

E vê e sorri. Vê quatro patitas a moverem-se. O toc toc são as patas de um casal de pombos a passearem no telhado. Para cá e para lá. Do corpo vê-se a sombra, mas as patas são nítidas. E lá vai o casalinho na sua calma. E volta. E vai outra vez. E volta. Às vezes irrompem em voo. Depois voltam, para percorrer toda a extensão do telhado. Grande passeio aquele, para lá e para cá. Estariam a admirar a paisagem?

Ela já viu muitos pombos, já deu comida a uns quantos, diverte-se até a vê-los debicar a comida que as pessoas deixam às galinhas no jardim público perto de sua casa (sabiam que há jardins com galinhas à solta no meio de Lisboa?). Mas sempre olhou para eles de cima para baixo, sempre viu primeiro a sua cabecita, os seus olhos. Nunca se tinha deparado com a beleza de quatro patas a passear num telhado translúcido. Até hoje.

8 comentários:

Jorge Freitas Soares disse...

Belo momento de leitura... adorei este post... um destes dias vai acompanhar uma das minhas fotografias... pode ser?

Jorge

mf disse...

Jorge:
Estás à vontade! Avisa-me quando for para eu poder ir lá saborear esse jantar. :)

13 disse...

É extraordinariamente complicado encontrar um/a cúmplice para tal (relativamente à questão da liberdade através de um amor). Mas não há nada melhor que isso, sermos "parvos" e sermos as pessoas com mais sentido de humor à face da terra...

Lembras-te da questão das saudades?
Juntamente com aquele olhar que nos dizem que ostentamos, é esse misto de emoções que sinto saudades.

Bj.

Storyteller disse...

Eu sei qual é o jardim!
E não tem nada a ver com a Quinta Pedagógica dos Olivais...

Vamos combinar uma coisa? Assim que a Primevera chegar, convido-te a tirarmos um dia para passearmos por Lisboa. Tenho umas coisitas para te mostrar.
;)

R. disse...

-- Querida, estás bem?
-- Porque dizes isso?
-- Não paras de andar de um lado para o outro, de um lado para o outro...
-- E tu também!
-- Ora, porque vou atrás de ti!
-- Bem, é verdade que estou um poucochinho nervosa...
-- Nervosa porquê?
-- Tenho a estranha sensação de estar a ser observada... Tu não?


Ah sim!, era a conversa entre os dois pombos... ;)

R.

mf disse...

13:
Respondo-te no post seguinte. :)

mf disse...

Storyteller:

Eu sei que sabes! E fico à espera dos passeios, ai fico, fico! ;)

mf disse...

R.:
Eh eh. Se calhar tens razão, sabe-se lá! Mulheres, pá... Nem as pombas escapam! ;)