terça-feira, 1 de setembro de 2009

Da amizade

O meu amigo 13 resolveu transcrever um texto do MEC que me chamou a atenção. Pondo de parte os sarcasmos e ironias, fiquei a pensar nas ideias subjacentes às palavras.

Nunca gostei de enfiar as pessoas em sacos, talvez por me ter sentido sempre incapaz de me agrupar (é o que dá sentirmo-nos ETs). Tenho, por isso, muita dificuldade em conversas onde se rotulam homens e mulheres de uma forma absolutamente linear, como se a individualidade não existisse, mas tudo o que importasse fosse o sexo a que cada um de nós pertence.

De entre algumas coisas que me chamaram a atenção, fixei-me nisto: "todas dizem que, em termos de amizade e companhia, preferem os homens às mulhe­res. Os homens ainda são mais simples". Eu não tenho muitos amigos homens, mas não concordo. Eu não prefiro os homens às mulheres. Prefiro os meus amigos que sabem ser amigos, independentemente do seu sexo. E, a nível de amizade, os homens NÃO são nada simples, pelo menos no que toca a mulheres. Ou será só comigo?

Explico. Eu, com as minhas amigas, descanso. Conversamos, rimos, brincamos, choramos até, se preciso for. É um tempo de paragem, se me apetecer parar. E posso relaxar. Com alguns homens não é bem assim e por uma simples razão: não se pode ter uma ou duas conversas com eles que se transformam em pinga-amores (atenção: eu disse 'alguns'. Há quem respeite o meu espaço e me deixe sossegada). É como se olhassem para mim e decidissem, por causa de meia dúzia de momentos, que eu sou boa para uma aventura. E começam, por isso, a 'rondar' de forma mais directa, numa tentativa de sedução. Mas a mim faz-me confusão como é que homens que pouco me conhecem me dizem, absolutamente convictos, que 'nós vamos ter alguma coisa' ou 'é assim que te vou conquistar'. Um pouco a situação que descreve a Marciana de serviço que também me pôs a pensar nisto.

Como eu não sou, por norma, assim tão rápida e ando muito desconfiada, porque o meu coração é bom a pregar partidas, os pensamentos não coincidem. E, porque ando a dizer aquilo que penso, acabo a dar-lhes para trás. Às vezes de forma directa, às vezes de forma sarcástica, às vezes simplesmente afastando-me, o que os faz queixarem-se dos picos. E, das duas uma: ou se afastam (é muito interessante ver como sou 'substituída' por outro alguém com uma rapidez impressionante - sinal de imaturidade emocional, a meu ver) ou resolvem ficar ali a tentar e a tentar. Ora eu, como ando em fase de detestar que subestimem aquilo que digo (já me chegou), acabo por me irritar com a situação. Como é que se explica que um 'não' é um 'não' e não um 'nim' ou um 'sim'? E como se faz um homem entender que gostamos muito dele como amigo e nada mais? Depois queixam-se que sou bruta que nem portas... Mas é que nem assim percebem...

Eu, neste momento, não descarto nada. Não descarto resolver ficar sozinha, apaixonar-me rapidamente por alguém que conheço pouco ou de repente dar conta de que um amigo já não é simplesmente um amigo. Mas descartava bem estes jogos esquisitos que me impedem de relaxar. É que chego a uma altura em que dou por mim a medir tudo o que digo com todos os homens 'disponíveis' que considero meus amigos porque tenho receio que aqueles que ainda se comportam de forma natural desatem a pensar com a cabeça de baixo.

Eu não me importo que mostrem interesse por mim. Mentiria se dissesse que não faz bem ao ego. Mas gostava que alguns percebessem que, se digo 'não' é porque, de facto, não quero mais nada que não uma amizade. E que, se estiver interessada, seja no que for, direi 'sim' se quem estiver do outro lado quiser aprofundar alguma coisa. Sem subterfúgios, sem jogos de fazer charme e de me armar em difícil, que eu já sou difícil por natureza, mesmo sem querer.

Para chegarem a mim, têm de conseguir que baixe a guarda e só consigo baixar a guarda quando não me sinto invadida e só não me sinto invadida quando me fazem sentir em paz e só me fazem sentir em paz quando se comportam com naturalidade e não se desatam a insinuar feitos tolos, como se tivessem de me enfiar na cama deles à viva força. Faz sentido que eu não queira dormir com os meus amigos, não? Ou sou eu que sou complicada?

12 comentários:

Apple disse...

Faz todo o sentido!

13 disse...

Atenção que quando o MEC fala em sermos mais simples na amizade é entre nós, membros do mesmo sexo, do que homens com mulheres. Embora crendo que era seria para partir para o ponto de vista da relação homem-mulher.
E tendo em conta que o texto tem quase 20 anos, ainda o sinto actual. Ou é por isso ou por eu não ser mulher e não saber o que é ter ser uns gajos sempre em "cima" de mim e também porque nos meus grupos não há esse tipo de "complicações" :)

PS: E sim, explica - que ainda ninguém me foi capaz de dizer - lá como é que se percebe que é 'sim' em vez de 'não' (e não "nim").

Minhoca disse...

Digamos, no meu ponto de vista, que não são amigos, eu tenho amigos, do sexo masculino, com quem me sinto tao a vontade como se fossem mulheres, pq são amigos, e como amigos não qualquer outra coisa que n a amizade.

Se sentir que tenho que estar com atenção entao não é amigo, é apenas um gajo como outro qualquer

R. disse...

É espantoso como ideias tuas daquelas bem, bem sérias me fazem sorrir. É que nesses momentos sérios acabas sempre por me tanger uma ou duas cordas complicadas cá dentro.

Pois é, minha cara, no geral os homens correm como tolinhos atrás do sexo (a reter a expressão "no geral", apesar de "como tolinhos" fazer rir). Nos tempos conturbados que tenho vivido alguns amigos prestam-se a dar-me apoio e sugestões. A maior parte deles apontam caminhos (uns mais directos e outros mais retorcidos, outros risíveis até) cuja meta é enfiar-me acriticamente nos lençóis com alguém. O sentimento, esse, pode ser que apareça depois, segundo tal lógica. Na esmagadora maioria das vezes nem sei que lhes diga, mas não os condeno sumariamente: afinal, é mesmo a forma como eles funcionam, que aceitam como "normal" e sei que mo dizem na melhor das intenções. Reconheço-lhes isso, e limito-me a ser eu e não eles.

Tu, obviamente, experimentas o outro lado. Isto de não querer o "geral" (qualquer que seja o lado) tem o seu preço, mas abdicar do "eu" tem um preço bem maior.

Não, não és complicada. Ou melhor: és!!!, mas não tanto como te pintas. ;)

R.

LBJ disse...

x2s2 dq gq :D

Desculpa não resisti ;)

13 disse...

O problema de ter que se esperar pela permissão do/a dono/a dos blogues é não ver bem o que se escreve (é parvo mas só consigo corrigir depois de aparecer nos comentários). Espero que dê para perceber o meu...

mf disse...

Apple:
Tu entendes-me a cabeça... :)

mf disse...

13:
Por acaso não interpretei bem o texto como tu, para mim ele está a falar de as mulheres gostarem mais de terem amigos do que amigas.

O texto é actual, apesar da idade, embora eu não me reveja em tudo o que ele diz sobre as mulheres e conheça alguns homens que não encaixam no estereótipo masculino. A minha dificuldade é mesmo essa: enfiar tudo no mesmo saco. Tirando isso, ele diz umas verdades.

"por eu não ser mulher e não saber o que é ter ser uns gajos sempre em 'cima' de mim". Pois tens sorte. Conheces a irritação que é ter uma melga à tua volta que não desaparece? Pois é parecido. ;)

Eu não sei o que fazem as outras, mas eu acho que sou um bocado transparente nesta coisa do 'não' e do 'sim', sobretudo se envolve uma relação amorosa... E se não tenho a certeza digo que não sei. Não há cá 'inventanços', que a probabilidade de magoar alguém é muita quando se acalentam esperanças que não devem existir.

mf disse...

Minhoca:
Pois então tens mais sorte que eu...
Eu nunca tive muitos amigos homens e agora que os tenho acontece-me isto com alguns. E é que não consigo mesmo relaxar...

mf disse...

R.:
Tu e eu temos formas de 'funcionar' semelhantes, pelo que é normal que as cordas tanjam por aí. E ainda bem: haja alguém que mexa e nos faça pensar em coisas que temos adormecidas por dentro.

Conheço nem essa coisa do "apontam caminhos cuja meta é enfiar-me acriticamente nos lençóis com alguém. O sentimento, esse, pode ser que apareça depois, segundo tal lógica." Também já percorri esse caminho. Acertaste em cheio no "acriticamente": eu não gosto disso, não sou para qualquer um e não quero qualquer um para mim.

Obrigadinha por afinal não ser tão complicada como me pinto. Por alguma razão és dos poucos 'disponíveis' com quem eu, hoje em dia, consigo passar horas à conversa sem acabar por te mandar passear. Haja quem me entenda. Eh eh

mf disse...

LBJ:
Pronto, vá, tu pedes e eu exemplifico o que é ser bruta que nem portas... Sairia qualquer coisa assim: 'Põe-te fino, senão, quando deres por ela, estás com um par de patins nos pés e eu já estou a milhas'. Eh eh

mf disse...

13:
Percebeu-se bem! Tu fazes-te entender! ;)