quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pele

A minha cidade não é grande e eu gosto dela assim. Tem o seu bulício próprio, mas mantém uma calma e uma simplicidade que me agradam.
Talvez por isso, ontem, ao percorrer uma das suas ruelas, dei por mim embasbacada frente a uma montra. Nela, dois vestidos muito bonitos. Um curto, rendilhado, em tons de terra. Outro comprido, de seda negra. Um custava a módica quantia de setecentos euros. Outro ultrapassava os mil.
Não estou habituada a tamanha excentricidade na minha cidade. Até compreendo que exista haut couture, mas qualquer dos preços me parece exagerado, sobretudo nesta terra que não prima, pelo menos que eu saiba, por excêntricos do euromilhões. Ou se calhar sou só eu que, a minha simplicidade, não os vejo a passar.
Seja como for, fiquei a ruminar que até é pecado, em tempos de crise, pensar em gastar tanto dinheiro num único vestido. Mas mesmo que não houvesse crise, eu não o faria. O meu melhor vestido nunca poderia ser um daqueles. A minha pele não é substituível.

2 comentários:

John Doe disse...

Depende de tanta coisa. Depende por exemplo da ocasião para o vestido, depende de quem tem que o ver (e despir porque não, mas isso sou a ir para onde não devo... eheheheh)

mf disse...

John Doe:
Tudo é relativo, pois claro. Mas a minha pele continua a ser o meu melhor vestido. :)